2023 – Atual: Hidrologia, sedimentologia e qualidade ambiental baixo curso do rio Gurupi: Avaliação de impactos de garimpo na área do Quilombo de Itamoari
Descrição: A presente proposta está focada na região da foz do rio Amazonas, com destaque mundial inclusive no cenário de mudanças climáticas. A foz do rio Amazonas é particularmente importante para o equilíbrio do sistema climático global, especialmente por seu papel no balanço hídrico e fixação de carbono (Nobre et al., 2003). Da mesma forma, a região é particularmente vulnerável a mudanças climáticas, com destaque para a elevação do nível do mar, por seu baixo relevo, assim como às variações anormais de precipitação, em função do delicado equilíbrio entre a precipitação e os elevados potenciais de evapotranspiração, e o balanço crítico entre as vazões fluviais (dependentes da precipitação) e as forçantes de marés na região costeira amazônica (Nittrouer et al., 2021). Na região costeira amazônica também se destaca a grande descarga e a pluma gigantesca do rio Amazonas, correspondendo a maior fonte individual de água e sedimentos lançada nos oceanos (Milliman Farnsworth, 2011). Juntamente com a água e sedimentos, enormes quantidades de carbono orgânico oriundas da floresta amazônica são despejadas na costa. Parte dos sedimentos e matéria orgânica descarregada pelo Amazonas abastece manguezais adjacentes a sua foz, constituindo a mais extensa faixa contínua de manguezais do mundo, incluindo ~480 km de extensão ~8 mil km2. Os processos sedimentares, biogeoquímicos e hidrodinâmicos de circulação e transferência de materiais entre a pluma, manguezais e o oceano em si, não são ainda plenamente compreendidos. Nesse contexto, se destaca o rio Gurupi com seu grande estuário e extensas áreas de manguezais, compondo inclusive a fronteira entre os estados do Maranhão e Pará e sendo o maior sistema flúvio-estuarino de todo o setor entre a Baía do Marajó (PA) e a Baia de São Marcos (MA), conhecido como reentrâncias. A bacia de drenagem do rio Gurupi tem área de 35.200 km2 (Souza-Filho et al., 2009), com uma vazão média de 472 m/s (ANA, 2020), com uma forte variação sazonal, com vazões ~7 vezes maiores no período chuvoso (e.g., abrilmaio ~1.125 m3/s) do que no período seco (e.g., outubronovembro ~155 m3/s), conforme Gomes et al. (2021). Ainda, destaca-se que a equipe coordenada pelo proponente deste projeto lidera as pesquisas no baixo curso do rio Gurupi, com destaque para os trabalhos de Asp et al. (2013), Gomes et al. (2021) e Silva et al. (2023).Outro destaque da bacia do rio Gurupi são as áreas com diferentes status de proteção, incluindo terras indígenas (e.g., Alto Rio Guamá), reservas extrativistas (e.g., RESEX Gurupi-Piriá e RESEX Arapiranga-Tromaí), e ainda o Quilombo de Itamoari (registro 54100.002187/2004-19). Este último inclui uma área demarcada de 5.377,6 hectares, e abriga atualmente 33 famílias que, apesar de grande vulnerabilidade social, garantem a preservação da absoluta maioria da área do quilombo, conforme destacado pela comparação da cobertura vegetal e o polígono do quilombo. Uma das maiores pressões que o Quilombo de Itamoari está submetido na atualidade é a atividade garimpeira, majoritariamente ilegal, causando desmatamento, destruição da rede hidrográfica e contaminação ambiental grave (Figura 1), onde toda a comunidade quilombola depende dos recursos hídricos e dos recursos pesqueiros da área. A convite dos líderes comunitários, o proponente (prof. Nils Asp) visitou o Quilombo de Itamoari nos dias 16 e 17 de Junho de 2023, onde em reunião com o conselho gestor, foi solicitada ajuda na investigação dos impactos do garimpo e da contaminação por mercúrio, resultando ora na presente proposta.
Fonte de financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)